A quem pertence Pokémon?

Alguns juram que pertence à Nintendo, outros à Game Freak, mas quem realmente é o dono?

Você já deve ter presenciado a seguinte cena: Um dos seus amigos (não tão conhecedor da franquia) aparece criticando Pokémon, e completa com “a Nintendo não sabe o que faz”! Ai vem aquele seu outro amigo, diretamente das sombras (de cartola e monóculo) “Não, veja bem meu caro, Pokémon é da Game Freak”. E um debate sem fim se inicia, e você fica no meio dele, só querendo comentar suas impressões sobre aquele novo trailer.

Mas a quem realmente pertence Pokémon?

Acredite se quiser, essa pergunta não é tão simples assim de responder, e para chegarmos a uma resposta, precisamos voltar um pouco no tempo.

Ninguém começa por cima, entra em cena a Game Freak Vol. 1

Na capa Taizo Hori, o protagonista da franquia Dig Dug

Satoshi Tajiri, em 1983 ainda um aluno do Tokyo National College of Technology (ou Faculdade Nacional de Tecnologia de Tóquio, se você demanda um nome em português), decidiu juntar suas pesquisas em videogames numa mini-revista (nessa época, revistas de jogos e guias de estratégia não eram tão comuns quanto hoje), e decidiu dar o nome para ela de Game Freak. A palavra Freak (フリーク), apesar das diversas conotações negativas que tem em inglês também pode significar entusiasta, e no Japão é usada principalmente nesse sentido, basicamente o mesmo que otaku.

A primeira edição fez relativo sucesso, e um de seus primeiro leitores, na época ainda no ensino médio (do Colégio Hongou [página em japonês]), Ken Sugimori, logo o mandou uma carta (lembrando que isso é 1983), a amizade dos dois começou e agora a revista contava com as ilustrações de Sugimori.

Algumas edições da Game Freak

Enquanto publicava a revista, Tajiri, entre outras atividades, se inscrevia em diversos concursos que buscavam “novas ideias para jogos”. Após diversas tentativas e prêmios de consolação recebidos, ele finalmente ganhou um desses concursos, mas o jogo jamais foi publicado. Frente a isso Tajiri percebeu que, se ninguém entendia como suas ideias podiam dar certo, ele mesmo as traria a vida, e assim em 26 de abril de 1989, a Game Freak, outrora revista amadora sobre jogos, iniciaria sua era como empresa, com capital inicial de 50 milhões de ienes (aproximadamente 470 mil dólares hoje em dia, sem correção monetária).

Em 27 de junho daquele mesmo ano lançaria seu primeiro jogo Quinty (クインティ, ou Mendel Palace no ocidente) com produção, direção e conceito por Satoshi Tajiri, programação por Yuuji Shinkai, música por Junichi Masuda, personagens por Ken Sugimori, entre outros com funções menores (mas não menos importantes). Desses citados, apenas o Yuuji Shinkai não ficou muito tempo por lá, trabalhando em apenas mais um jogo na empresa, já os outros, são história.

Entram em cena os Capsule Monsters!

Capa da proposta de projeto que daria origem a Pokémon

Ou esse originalmente era o plano, apesar de sua proposta ter sido aceita pela Nintendo, o jogo de Game Boy sobre colecionar monstros, baseado em suas experiências como criança teve seu nome alterado para Pocket Monsters por questões de direitos autorais.

Mas o nome era apenas o primeiro dos desafios do desenvolvimento do jogo que viria a marcar a história. O desenvolvimento de Pokémon Red & Green durou 6 anos. O time de desenvolvimento não tinha nenhuma experiência desenvolvendo RPGs, mas não queriam trocar o principal elemento do jogo. Segundo Junichi Masuda, na época responsável pelos efeitos sonoros e também parte do time de programação, seu computador superaquecia e desligava o tempo todo, peças queimavam o obrigando a consertar a maquina antes de continuar o desenvolvimento. O hoje produtor afirma ter trocado de computador pelo menos 4 vezes durante o desenvolvimento dos primeiros jogos.

Dinheiro também era um problema, quanto mais além do cronograma o projeto segue, mais os fundos se esvaem. E nisso entra Tsunekazu Ishihara, com sua recém-criada empresa (com a ajuda do lendário Satoru Iwata) Creatures Inc. Ele assina um contrato com a Game Freak em 1995 e começa a intermediar as relações entre a pequena empresa e a gigante Nintendo, que naquele momento estava esperando por Pokémon a 5 anos. É nessa fase que algumas decisões impactantes foram tomadas, como dividir o projeto em dois jogos com algumas diferenças entre si, ideia proposta por ninguém menos que Shigeru Miyamoto. E essa não seria a única ligação do mesmo com os jogos, as cores que nomeavam os dois jogos foram escolhidas simbolizando a principal dupla da Nintendo na época, Mario e Luigi.

O desenvolvimento volta aos eixos e o futuro do jogo volta a ser promissor (um último problema aconteceu na fase de depuração, adiando o jogo do final de 1995 para fevereiro de 1996, mas o que são alguns meses depois de anos?).

E a lenda se inicia!

Nascia a empresa que no futuro administraria a marca de multimídia mais valiosa do mundo

O sucesso de Pokémon Red e Green foi sem precedentes, rapidamente se tornando o segundo jogo mais vendido da história do Game Boy (perdendo apenas para Tetris, que acompanhava o aparelho). Perante a descoberta de tamanho diamante bruto, se mostrava necessária uma empresa para lidar com a marca Pokémon, que começava a receber propostas para o lançamento dos mais diversos produtos relacionados.

Frente a isso nasceu a The Pokémon Company (株式会社ポケモン Kabushiki Gaisha Pokémon no Japão) responsável pela administração da marca, produção, marketing e licenciamento de tudo existente e que viesse a existir relacionado à franquia. A empresa categorizada como “empreendimento conjunto” contém participação igual das três empresas que fizeram do projeto inicial possível: Game Freak, Creatures e Nintendo. O igual poder sobre a marca das três empresas foi confirmado por Junichi Masuda em 2017 em uma entrevista ao Game Informer.

E agora você tem a resposta:

A marca Pokémon tem como donas: Game Freak, Creatures Inc e Nintendo, com atuação através de seu empreendimento conjunto, a The Pokémon Company!

Obviamente há outros pormenores, por exemplo, não temos como ter certeza sobre a real relação de poder entre as empresas. Já que, por exemplo, o presidente da The Pokémon Company é ninguém menos que o Tsunekazu Ishihara, sim aquele que salvou Pokémon com investimentos monetários.

E também tem outro detalhe, cada produto da marca tem seus próprios “donos”, por assim dizer, seja o anime, os mangás, os spin-offs. Apesar de todos reportarem o uso da marca Pokémon para a The Pokémon Company e precisarem de autorizações para lançar seus produtos, os produtos em si são deles. Mas isso é assunto para outra hora!

O que acharam de saber mais um pouco sobre a era pré-Pokémon? Algum detalhe que precisava de mais explicação? Deixe sua opinião nos comentários!

E fiquem ligados na Pokémon Mythology!

Fontes:
https://www.famitsu.com/news/201904/26175304.html
https://www.gameinformer.com/b/features/archive/2017/12/31/the-history-of-pokemon.aspx
Game Freak, Akihito Tomisawa
Pokémon Story, Kenji Hatakeyama
Pokémon o Tsukutta Otoko Tajiri Satoshi, Shoutarou Miya
(Algumas edições da Game Freak) via Chris Kohler
(Game Freak Vol. 1) via Famitsu
(Proposta de Projeto, Capsule Monsters) via Famitsu
(The Pokémon Company Logo) via The Pokémon Company

Yuu 侑

Você quer desafiar a Suzuna? Ótimo! Eu estava esperando por alguém forte! Mas tenho que te dizer, eu sou forte por saber me esforçar. Pokémon, estilo, romance... É tudo sobre esforço! Vou te mostrar o que quero dizer. Se prepare para perder!

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